"Canción en el viento"
Feb 03

sodacaustica:
Primeiro quadrinho meu publicado na Revista Junior de Setembro de 2012- pediram um estilo diferente do Nick Duvidoso, isso foi o que saiu…
mais informações em Facebook.com/Nickduvidoso
<3
Nov 29
O Quilombo vive, o negro está. “Nº de assassinatos de negros no país sobe 149% em oito anos”
Texto comentário para a noícia http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1193080-n-de-assassinatos-de-negros-no-pais-sobe-em-oito-anos.shtml
Lembram da Guerra do Paraguai? Foi aquela guerra na qual a Inglaterra cobrou uns favores do pessoal do sul, e Brasil, Argentina e Uruguai (A Tríplice Aliança!!) mataram todos os homens paraguyos. Sim, aconteceu.
Os dados do pós guerra indicam uma baixíssima taxa de natalidade nos anos seguídos. Não poderia ser diferente.
E tem os tataravós. Quê? Tataravós, é! Você lembra do seu tatá negro? Na árvore genealógica da sua família, onde estão os pais do seus avós negros? Não estão. Eram escravos, não humanos. Escravos não tinham alma. Escravos eram coisas. Eram trazidos em navios desde o continente africano, e eram forçados a trabalhar, caso contrário morreriam. Escravos eram torturados. Arrancavam-lhes o coro, eram algemados, pendurados de ponta cabeça e açoitados, sangravam, as mulheres eram estupradas ao gosto de seu dono. Sua vagina não era sua, era do dono, seu anus também era do dono, tudo em seu corpo era do dono branco que fazia o que quisesse com suas posses. Sim, aconteceu.
Os filhos dos escravos não eram de seus pais, não, os bebês negros nasciam e eram propriedade legal, ou seja, de acordo com a lei do Brasil da época, dos donos brancos. Os mesmo donos brancos dos pais, ou às vezes no escambo escravista, iam para outros donos brancos para quem eram vendidos. Sim, aconteceu.
Um dia eles conseguiram a liberdade legal (A Lei áurea). Eles viviam nas senzalas, mas quando a lei disse que seus donos brancos não eram mais seus donos brancos, os donos brancos continuaram sendo os donos das Senzalas onde os recém libertos negros viviam.
De lá foram expulsos, pois a senzala onde viviam não era sua, mas do seu recém ex dono branco. Sim, aconteceu.
Eram livres, mas não tinham nada. Nada. Eram Livres, mas não tinham dinheiro, nem casa, nem terra (como teriam algo, se antes, nem humanos eram, escravo com dinheiro, terra? isso não existe). Mas estavam os Quilombos, os negros resistiram aos séculos de escravidão, resistiram aos séculos de assassinato e aqui permaneceram, por mais que seus ex donos, e seu filhos, e os filhos de seus filhos, e os filhos de seus filhos dos filhos do filho branco tente hoje ainda, dizimar aquele que teve a coragem de renunciar ao seu posto de escravo e lutar, com unhas e dentes pela humanidade que o dono branco lhe roubou criminosamente. Sim, aconteceu.
E se dessemos essa noticia assim:
Após 500 anos da luta do povo negro do Brasil contra seu extermínio promovido pelos brancos ricos, passando por séculos de escravidão, e séculos de exploração e dizimação social, nos últimos oito anos o número de assassinatos de negros aumentou em 149% nos remetendo ao processo de dizimação aplicado na Guerra do Paraguai que visava matar os homens jovens dali, afim de que não nascesse uma geração seguinte”.
Tá bem, é um texto longo para uma nota, mas me parece um assunto que merece mais do que uma nota, ou um “nick” no nome do face.
A palestina é aqui desde Cabral. Mas o povo pisado daqui tem a pele negra, seja ela da cor que for. Pode ser marrom , preta, pode ser branca, mas a cor do povo pisado do Brasil é a cor negra.
Nov 15
Um samba tangado, um desabafo.
Andando por Córdoba vejo um cartaz do governo da província celebrando tarifa zero para transporte de estudantes… Daí lembrei-me de que aqui tem também aquela história dos direitos humanos serem levados a sério, tipo, casamento igualitário, sabe? Direito de existir e amar em consonância consigo, sem necessariamente ser heterossexual.. direitos que todos os cidadão, por serem cidadão, deveriam ter. Ah, tem também um memorial e uma marcha que enchem todos os anos nas celebrações pelo fim do regime militar.
E o Clarín (a Globo daqui) vai tomar uma paulada com a Ley de Medios (e nem sou kchinerista, ok, mas por todos os lados vejo pichações e pessoas que trabalham de porteiro dizendo ‘Christina, estamos con vos!’ ou “Clarín: con la democracia no se juega, estamos con CKF”, …sabe, a direita se posicionou também, e a CKF disse “Ué, organizem um partido e disputem o poder e a consciência do povo, a democracia está para isso”, e continuou tocando se governo).
(É que a Ley de Medios vai estabelecer regras para concessões de canais de TV e rádio de maneira que os meios de comunicação não fiquem apenas nas mãos de meia dúzia de famílias, Ah, a Ley vai cancelar concessões que ditadores e torturadores deram para donos de televisões e rádios na época da Ditadura…. No Brasil aconteceu a mesma coisa, um montão de donos de TVs e Rádios – além dos Marinho, uma porção de evangélicos que ganharam mais de 80% dos canais de TV e Rádio enquanto a Dilma era torturada no pau de arara… cês tão ligado que a presidenta foi torturada? É, choque elétrico nas genitálias, despir, pendurar de cabeça para baixo e descer a porrada, entre outras tantas).
Mas tenho a impressão de que eles aqui se sentem engessados, paralisados, quando pensam no “desenvolvimento” do Brasil….
Acho que é pelo mesmo motivo pelo qual alguns de nós acham que estamos indo bem…muito bem, mesmo que estejamos matando nossos jovens negros, mesmo estando tranquilos matando nossas mulheres, filhas, amigas e irmãs por não dar-lhes condições dignas para abortar (porque, assim como pena de morte, o aborto é uma prática recorrente, só que quem é rico não morre por ser rico porque vai a julgamento – paga um bom advogado e o resto a gente já sabe. O pobre é julgado na mira do PM, seu advogado é a sorte de que a vida lhe persista em ficar, nada mais. Assim como a mulher rica, que faz aborto seguro, com vários médicos formados em boas Universidades, como a USP e a PUC, e a mulher pobre que faz aborto e morre porque enfia uma agulha de crochê no útero ou vai num açougueiro, coisas assim… (‘ninguém pode julgar quanto vale uma vida’, a negra pobre, que morre sangrando da vagina aos pés não entra nessa lógica porque….ah, não deve ser uma vida, é…provavelmente não).
Bom, parece que aqui eles se sentem ‘paralisados’, e sentem que nós estamos a todo vapor. A gente está comprando mais, gastando mais, e nos submetendo mais aos chefes, aos opressores, submetidos mais ao assassinato, à ‘não vida’, mas dizem que somos alegres (ó cordeiro que tirai todo o pecado desse mundo, seja brasileiro, não é?).
Em 10 anos não acho que vá haver uma ascensão conservadora aqui, tipo, um grande grupo de pessoas falando que a morte dos pobres, que vão pra cadeia é a saída para um país melhor… (sim, pobre no Brasil vai pra cadeia, afinal, elas estão sempre superlotadas – somos a 4ª maior população carcerária do mundo, mas dizem que somos uma país de impunidade…impunidade de quem? Já imaginou se todos os donos de empresas fossem presos pelos seus crimes trabalhistas, da mesma maneira como um pobre negro é preso por tráfico de droga - a mesma que se usa nas baladas lindas dos centros - já pensou?).
Já pensou prendermos os nossos torturadores e ditadores, e tirarmos das paredes dos palácios de governo as fotos dos prefeitos, senadores, governadores e presidentes ditadores que assassinaram tantos, (assassinato é crime, certo?) assim como fizeram na Argentina?
Ah, mas somos o país da Impunidade… A do rico que nunca paga por seus crimes – os crimes que finge não cometer - não a do pobre, esse não sofre de impunidade, esse está superlotando as cadeias, lembra?
É… Copa, Olimpíadas e muitas, muitas mortes, certamente é disso que o Brasil precisa para continuar crescendo.
E os argentinos aqui, coitados, como vão fazer? Sem Copa, sem Olimpíadas, se enchendo de leis republicanas, discutindo e fazendo-se cumprir direitos humanos…pobres hermanos… ricos nosotros. O será el revés?
Nov 09
![Quem liga pro Saci?Se a bala não acaba com “essa gente” (preto pobre que nasceu nos anos 90) é só diminuir a Maior Idade Penal, assim a gente deixa a sociedade limpa,…limpinha.Claro que séculos de exploração , uma vida sem dignidade,
sem educação, sem perspectiva, uma vida de vazio (a gente esquece dos tataravós presos em navios, com grilhões e correntes, os ‘sem alma’, bichos-homens escravos que fugiram da morte e subiram o morro) não interferem na vida do jovem pobre e negro. Nada disso é importante e justo de se colocar em pauta, NÃO, nada disso aconteceu e acontece e nada disso faz a realidade violenta atual. Afinal, quando uma pessoa assim morre, os mesmo que falam que só deus pode tirar uma vida são os primeiros a fazer o discurso de “bandido bom é bandido morto”.Já imaginou se saíssemos matando todos os chefes e donos de empresas que diariamente comentem uma porção de crimes do trabalho? Já pensou se bradássemos “Bandidos, Criminosos” para os donos dos bancos que vivem em castelos? Claro, a gente não vê que está alimentando a boa vida dos poderosos com o custo de amargurar as nossas próprias vidas. Damos horas, dias, anos para uma empresa ou patrão, sem nos lembrarmos que nunca mais recuperaremos este tempo. Aquelas horas da vida, jamais voltaram, e elas serviram só para beneficiar meia duzia de ricaços.Mas a nossa raiva, o ódio, a frustração de uma vida de merda vai pro neguinho, que passa de berma e bombeta, e, que por assim ser, é um perigo iminente. Mas o pé de chinelo pode morrer, o neguinho que passa pó e maconha pro filho da família brasileira [esse é branco, faz Facu, conseguiu bolsa, o pai paga, passou na federal, enfim, é esforçado, e poxa, trabalha e compra umas cositas na boca pra relaxar, bebe e bate o carro, bebe e bate na namorada, ele que tem o avô italiano, a vó portuguesa, um sobrenome bonito, esse que não tá acostumado desde que nasceu a ver uma arma cara cara, que não tá acostumado desde que nasceu a cagar em fossa aberta no meio da maior cidade da América Latina, esse que não teve que correr desde pequeno para a casa da avó, sem saber da mae, do pai, dos irmãos, porque deram toque de recolher].(em tempo, maconha e coca são importadas, ein, porque no Brasil não se fabrica. Claro que a Polícia - Uma empresa do Estado - não tem condições de apreender as drogas na fronteira, ou no caminho do morro, é impossível, um dado da natureza, desde que o mundo é assim, a polícia também. Tem que se esperar a droga chegar no morro pra sair matando os grande chefes que moram lá…UÉ, não sabia que gente que movimenta BILHÕES com o trafico morava em favela…).Quantas histórias de neguinho a gente conhece? Só a do Saci, aquele de gorro vermelho, mutilado e negro, usado para assustar as crianças e assumir a culpa das molecagens do Sinhozinho, que para não apanhar da Sinhâ falava que foi o saci, ou o pretinho escravo. O mesmo Saci que era culpado das falcatruas do pai do sinhozinho, um senhor respeitável, branco, dono da Casa Grande, homem que nunca se aproveitou de ninguém na vida para conseguir o que tem.Mas Saci não existe.Nem negro pobre. Eles existem, mas não como nós, humanos. Eles são mutilados por natureza, vieram sem uma perna, sem uma alma, não são humanos profundos e falíveis, são bichos-homens. Merecem a bala, merecem a corrente.E nós, bem, para nós, o Reino dos Céus, porque merecemos.](http://25.media.tumblr.com/tumblr_md8fwmBMLG1qjzeeio1_250.jpg)
Quem liga pro Saci?
Se a bala não acaba com “essa gente” (preto pobre que nasceu nos anos 90) é só diminuir a Maior Idade Penal, assim a gente deixa a sociedade limpa,…limpinha.
Claro que séculos de exploração , uma vida sem dignidade,
sem educação, sem perspectiva, uma vida de vazio (a gente esquece dos tataravós presos em navios, com grilhões e correntes, os ‘sem alma’, bichos-homens escravos que fugiram da morte e subiram o morro) não interferem na vida do jovem pobre e negro. Nada disso é importante e justo de se colocar em pauta, NÃO, nada disso aconteceu e acontece e nada disso faz a realidade violenta atual.
Afinal, quando uma pessoa assim morre, os mesmo que falam que só deus pode tirar uma vida são os primeiros a fazer o discurso de “bandido bom é bandido morto”.
Já imaginou se saíssemos matando todos os chefes e donos de empresas que diariamente comentem uma porção de crimes do trabalho? Já pensou se bradássemos “Bandidos, Criminosos” para os donos dos bancos que vivem em castelos? Claro, a gente não vê que está alimentando a boa vida dos poderosos com o custo de amargurar as nossas próprias vidas. Damos horas, dias, anos para uma empresa ou patrão, sem nos lembrarmos que nunca mais recuperaremos este tempo. Aquelas horas da vida, jamais voltaram, e elas serviram só para beneficiar meia duzia de ricaços.
Mas a nossa raiva, o ódio, a frustração de uma vida de merda vai pro neguinho, que passa de berma e bombeta, e, que por assim ser, é um perigo iminente.
Mas o pé de chinelo pode morrer, o neguinho que passa pó e maconha pro filho da família brasileira [esse é branco, faz Facu, conseguiu bolsa, o pai paga, passou na federal, enfim, é esforçado, e poxa, trabalha e compra umas cositas na boca pra relaxar, bebe e bate o carro, bebe e bate na namorada, ele que tem o avô italiano, a vó portuguesa, um sobrenome bonito, esse que não tá acostumado desde que nasceu a ver uma arma cara cara, que não tá acostumado desde que nasceu a cagar em fossa aberta no meio da maior cidade da América Latina, esse que não teve que correr desde pequeno para a casa da avó, sem saber da mae, do pai, dos irmãos, porque deram toque de recolher].
(em tempo, maconha e coca são importadas, ein, porque no Brasil não se fabrica. Claro que a Polícia - Uma empresa do Estado - não tem condições de apreender as drogas na fronteira, ou no caminho do morro, é impossível, um dado da natureza, desde que o mundo é assim, a polícia também. Tem que se esperar a droga chegar no morro pra sair matando os grande chefes que moram lá…UÉ, não sabia que gente que movimenta BILHÕES com o trafico morava em favela…).
Quantas histórias de neguinho a gente conhece? Só a do Saci, aquele de gorro vermelho, mutilado e negro, usado para assustar as crianças e assumir a culpa das molecagens do Sinhozinho, que para não apanhar da Sinhâ falava que foi o saci, ou o pretinho escravo. O mesmo Saci que era culpado das falcatruas do pai do sinhozinho, um senhor respeitável, branco, dono da Casa Grande, homem que nunca se aproveitou de ninguém na vida para conseguir o que tem.
Mas Saci não existe.
Nem negro pobre. Eles existem, mas não como nós, humanos. Eles são mutilados por natureza, vieram sem uma perna, sem uma alma, não são humanos profundos e falíveis, são bichos-homens. Merecem a bala, merecem a corrente.
E nós, bem, para nós, o Reino dos Céus, porque merecemos.
Nov 03

(Source: plantwomb, via touchoflavender)
Oct 27

“Si pudiera te besaría hasta la voz.”
Oct 23

grifeinumlivro:
As Vantagens de Ser Invisível. Stephen Chbosky
(via @sarmentogabi)
(via fragmentosdeumavidasemsentido)
Oct 22
Oct 19

=)
Oct 14